Conheça os perigos da automedicação em Pets

A automedicação é um procedimento comum em seres humanos, refere-se à utilização de fármacos sem a prescrição do profissional responsável. Entre os animais, usamos o termo automedicação por conveniência, pois ela se dá pela utilização de medicamentos por parte dos seus proprietários, sem a orientação de um Médico Veterinário. Muitas vezes na hora do desespero, o tutor se torna refém de informações obtidas pela internet ou por terceiros que, muitas vezes, não estão corretas e jamais substituirão uma consulta.

Mas, desta forma, os gastos podem se multiplicar, sem contar o valor inestimável de uma vida que pode se perder ao se cometer um erro de prescrição. Esta conduta pode gerar problemas diversos como possíveis intoxicações, reações adversas ou  problemas crônicos, como insuficiência renal, hepática e cegueira.

Muitos são os estudos em farmacologia, fisiologia, toxicologia e clínica que capacitam o Médico Veterinário a fazer a melhor escolha frente às particularidades de cada animal, pois alguns fármacos são contra indicados para os que estão em fase de crescimento, outros são contra indicados para fêmeas gestantes, outros para idosos. Alguns devem ser tomados com o estômago cheio, outros em jejum. E ainda existem determinadas raças que não são tolerantes a alguns medicamentos.

Segue uma lista dos principais fármacos que provocam intoxicação ou outros problemas:

Ácido Acetil Salicílico (AAS®, Aspirina®, Melhoral®):
Efeitos: São grandes causadores de gastrite/úlcera em cães, causam hemorragias sérias em gatos, pois nesta espécie há dificuldade em metabolizar a substância. Ainda dificultam a coagulação quando há hemorragias por inibirem os tromboxanos.

Antibióticos ou antimicrobianos:
Efeitos: Usados erroneamente não fazem efeito, causam resistência bacteriana e podem levar a problemas nos rins e fígado.

Anti-inflamatórios:
Efeitos: Causam gastrite/úlcera gástrica em cães e gatos. Os anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs), tem a capacidade de bloquear a produção de muco (protetor) no estômago, levando a lesões na parede do estômago.

Anti-tóxicos:
Efeitos: Os anti-tóxicos comumente vendidos em agropecuárias, causam uma maior sobrecarga em animais que já possuem a função hepática comprometida, causando graves problemas principalmente em felinos.

Diclofenaco (Cataflan®):
Efeitos: Causa gastrite, úlcera, erosão e até perfuração gástrica em cães e gatos com apenas uma dose. Causa anemia intensa, vômito, as fezes tornam-se escurecidas, há perda de apetite, mudança de comportamento, seguidos de depressão e morte nos animais não tratados.

Paracetamol (Tylenol®):
Efeitos: Grande risco de causar graves danos ao fígado. Os animais possuem um sistema hepático de metabolização diferente dos seres humanos, em que o processo de glicuronização é deficiente. Novamente, os felinos são os mais sensíveis e mais acometidos por intoxicações deste fármaco.

Ivermectina: Medicamento comumente utilizado em grandes animais, porém seu uso deve ser cauteloso em pequenos animais.
Efeitos: Pode levar a graves intoxicações, principalmente em cães de focinho longo (dolicocéfalos) – ex: Colie. Nestas raças a medicação passa a barreira que separa a corrente sanguínea do encéfalo, chamada barreira hematoencefálica. Isso causa uma intoxicação grave, em que o tratamento é somente de suporte, pois não existem antídotos específicos. As injeções de ivermectina são as mais perigosas, quando usadas sem indicação específica.

Anticoncepcionais (contraceptivos orais e injetáveis)
Efeitos: Está diretamente relacionada à ocorrência de neoplasias mamárias malignas (tumores) e doenças reprodutivas que requerem tratamento cirúrgico.

Mata bicheiras (spray roxo, spray prata):
Efeitos: Provocam intoxicações gravíssimas em cães e gatos. Os sintomas podem ocorrer mesmo sem a ingestão do produto, ou seja, o animal absorve pela pele e pela ferida.

A ocorrência de intoxicação por produtos tópicos para controle de pulgas, piolhos e carrapatos, como o amitraz, deltametrina, cipermetrina é comum e pode ocorrer pelo simples contato com o princípio ativo, não sendo necessária sua ingestão. Podem levar à intoxicação inclusive de quem está manuseando, por contato e inalação.

Alertamos ainda sobre chás e medicamentos caseiros que podem alterar ainda mais a situação do paciente. Na piora, o responsável procura o medico veterinário, mas muitas vezes não conta sobre o que administrou, pois acredita que por ser caseiro não precisa ser mencionado, e essas informações, quando omitidas, podem dificultar o trabalho do veterinário.

Tendo em vista todos os problemas que podem ser causados devido à automedicação, a melhor escolha é sempre consultar um Médico Veterinário, ele é o único capaz de decidir adequadamente sobre as medidas de estabelecimento da saúde dos animais.

 

Fonte: Ghiggi, E. Automedicação. Disponível em: <https://sites.google.com/site/eduardoghiggi/-auto-medicacao>
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